Docente diz-se vítima de agressão física e psicológica por parte de uma mãe. Associação Nacional de Professores defende mais recursos para as escolas agirem.
Magda Lopes, professora há seis anos, conta a sua história para mostrar que "neste momento, as agressões nas escolas existem". "Fui mais uma vítima de agressão física e psicológica por parte de uma mãe, que me abordou aos berros, no meu local de trabalho", revela. "Nunca pensei que isto pudesse acontecer comigo", desabafa. Tinha sido colocada há três dias na EB1 de Alfena, Valongo, quando a mãe de um aluno a abordou, acusando-a de ter batido no filho de 7 anos. "A mãe atacou-me a vários níveis chegando a insultar-me do pior, ameaçou-me e por pouco não me deu um murro, dizendo que me dava 'dois socos'". "A minha sorte foi que três auxiliares de educação assistiram a tudo e, nessa altura, uma delas meteu-se no meio e afastou a mãe." As suas testemunhas são essas três funcionárias. Magda Lopes apresentou queixa na GNR e contou o caso ao Sindicato dos Professores do Norte e à Linha SOS Professor. "Tenho os meus alunos e os seus encarregados de educação que podem comprovar que nunca toquei em nenhuma criança", garante
Tudo aconteceu no passado dia 21 de Novembro. "A minha postura foi sempre de tentar apaziguar a situação e, sem receio, mostrar à mãe que estava errada, que o seu filho estava a mentir", afirma. Os insultos, conta a docente, foram feitos na presença do próprio aluno. Nos dias seguintes, Magda Lopes era acompanhada por um polícia desde a saída da escola ao seu automóvel. Está abalada com o que se passou. Pensou que "o mundo tinha-se desmoronado". "Dou por mim a pensar o porquê de isto me ter acontecido". Sente-se injustiçada e caluniada. "Neste momento, sinto uma revolta enorme e só quero que se faça justiça, por isso, vou fazer tudo o que estiver ao meu alcance para mostrar que nós, professores, temos um papel que é o de formar as nossas crianças com base na verdade, na integridade". E acrescenta: "Mas aos pais compete sempre a base da educação, o que nem sempre acontece pois 'depositam' essas expectativas no professor".
Magda Lopes refere que o apoio da família, dos que estão mais próximos, tem sido muito importante para ultrapassar a situação. Fez questão de ir à escola, mesmo no dia seguinte. "Sinto-me muito triste por saber que as coisas podem chegar a este ponto." "Estou nesta profissão porque gosto. Os professores tinham autoridade e, neste momento, assistimos ao reverso da medalha: agora não há respeito pelos professores", aponta.
A Linha SOS Professor (808 962 006), criada pela Associação Nacional de Professores (ANP) em Setembro do ano passado, tem recebido, em média, mais de uma chamada por cada dia do ano lectivo. Cerca de metade dos telefonemas são de professores que se dizem vítimas de agressões físicas ou verbais. O presidente da ANP, João Grancho, não fala em casos concretos - os telefonemas são anónimos e confidenciais -, mas adianta que "as comunicações para a Linha têm sido mais assíduas". Desde Setembro deste ano, foram registadas cerca de 75 comunicações, das quais 15 dizem respeito a agressões consideradas graves. O responsável refere que "as pessoas revelam cada vez mais à vontade em relação às situações que se vivem nas escolas". O que ajuda a explicar o aumento dos telefonemas. Segundo Grancho, a divulgação da Linha e a garantia de anonimato e confidencialidade também contribuem para essa procura.
"A escola tem de agir e nós temos de estar em segunda linha." O presidente da ANP defende que os estabelecimentos de ensino devem ter "mecanismos e recursos para resolver estes problemas", de forma que estes casos não se percam no habitual caminho burocrático de fichas e fichas de comunicações. "Não se pode esperar que a escola, só por si, resolva tudo, mas se pudesse ter recursos mais específicos, com uma intervenção da comunidade envolvente, algumas situações poderiam ser resolvidas", reforça. E avisa: "as escolas problemáticas tendem a multiplicar-se".
"O que verificamos é que muitas situações tendem a ser banalizadas", sublinha Grancho, acrescentando que as agressões a professores existem. Cada telefonema feito para a Linha SOS Professor é tratado e caracterizado isoladamente. "Normalmente, os professores estão pouco à vontade, revoltados ou em estados mais complicados", diz. Três professores, um psicólogo, um psicopedagogo, um especialista em gestão e mediação de conflitos, um técnico jurídico constituem a equipa que analisa as comunicações. Caracterizado o quadro de cada vítima, são definidas algumas estratégias para a resolução do caso que pode passar pelo apoio jurídico. O contacto directo entre os técnicos da Linha SOS Professor e o docente também é possível.
O presidente do Sindicato dos Professores do Norte, Abel Macedo, revela que, em comparação com os últimos anos, há agora mais professores vítimas de agressões de alunos ou encarregados de educação a contarem as suas histórias. Tanto assim é que há mais casos a bater à porta da estrutura sindical que, nesta área, actua em duas frentes. "A um nível de apoio jurídico e de denúncia pública, dando conta de que é necessário actuar preventivamente", explica o responsável. "As escolas têm pouca autonomia para resolver estas situações, estão muito mecanizadas e robotizadas pelo Ministério da Educação." "Essa autonomia só existe na boca dos governantes", reforça Abel Macedo.
O agrupamento escolar da EB 2,3 de Alfena, ao qual pertence a EB1 de Alfena, recusou-se a comentar o caso relatado pela professora Magda Lopes, referindo apenas que tomou as medidas necessárias - entre elas dar conhecimento do assunto à Direcção Regional de Educação do Norte
Sara R. Oliveira 2007-12-04
Laurentina-Na babilogalia deste Tuguistão...
11 comentários:
O grave da questão é que andamos a reivindicar contra o Ministério (e se calhar com alguma razão) mas estamos a esquecer que há toda uma geração de energúmenos que foi criada no laxismo que é agora adulta e acha que tudo lhe é devido.
Pois também considero que esta geração que agora é adulta lhe foi caindo tudo no prato da sopa sem pedir a ninguém e agora toma la acham que tudo é da "joana"...
beijão grd.
Afinal o que está a acontecer em Portugal? Que tipos de alunos está a haver? O que estão a dizer os sociólogos e psicólogos? Alguém está a estudar isso?
É preciso parar com essa praga antes que seja tarde demais.
beijão
Querido amigo,
PARAR O QUÊ?!...
Aqui já ninguém pára nada , quando os governantes são os primeiros a adquirir os seus diplomas academicos sabe Deus como... têem que facilitar e apelar a alguma camada social, tb com esse facilitismo para terem alguma ancora!!!
Isto já caiu bem fundo.
Já só la vai à cachaporrada dura!!!
Eheheheheh e a bandeirinha azul continua a aparecer!!!
Beijão grande
As queixas feitas pelos agredidos, ficam registadas em bastantes papéis, inquéritos e comunicações, mas a verdade é que a punição não é feita dentro de tempo útil, e os casos repetem-se com maio frequência em virtude do sentimento de impunidade que se passa para o exterior. O respeito e a autoridade dos professore dentro do meio escolar é afectado e isso vai reflectir-se na qualidade e empenho da actividade docente.
Abraço do Zé
Na boca do Sr. Primeiro Ministro situações destas não estão a acontecer agora é que a escola vai funcionar Etc.Etc.Tenho uma vontade enorme de o mandar para a p....que ... p...,desculpa a linguagem ,mas é o que estou a sentir. Já não há pachorra.
JOY
Anda lá Zé que daqui a uns anitos poucos, mesmo, ele vai sentir nas costas o peso do facilitismo que esta agora apregoar...
O problema é que nos toca a nós tb!!
Beijão grande
Joy,
Por favor fica à vontade para o madarespara onde te apetecer... é coisa de que eu não me cuibo de fazer!
Beijão grande
hum!
vivemos num país seguro...
ou estamos com alucinações?!
...com alucinações...
beijão grande
Belo tema da indisciplina e das agressões em contexto escolar.
É o pão nosso de cada dia...
O que fazer face a esta geração que pensa que tem mais direitos que deveres. Passa no meu blogue e lê.
Um abraço
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