domingo, 8 de junho de 2008

A MINHA VIDA VAI DAR UM BEST SELLER...ENCONTRO DOS MACHAVENSES EM FATIMA




Pois é, fui a mais um encontro do pessoal da minha amada juventude... e é aqui que reside a diferença entre NÓS e os OUTROS.
Passem os anos que passarem reconhecemo-nos todos, continuamos amigos, fortes e unidos trocamos galhardetes, trocamos filmes e musicas , fotos e vivencias , misturamos iguarias comemos todos na mesma mesa, comidas feitas por nos e provamos o que os outros trazem , choramos e rimos, cantamos, tocamos e dançamos , AI COMO EU AMO A MINHA GENTE
ESTE ANO VEIO MENOS GENTE ...CLARO A VIDA ESTA MAIS DIFICIL E TORNA-SE UM POUCO MAIS COMPLICADO, NO ENTANTO APARECERAM AMIGOS QUE O ANO PASSADO NÃO ESTAVAM LÁ.


As 10h da manha saimos em direcção ao laranjeiro para irmos buscar o Vitor e a Lena filhos do enfermeiro do Bairro Silva Cunha, que moravam na rua da Benvinda Rosa irmã do Parfuso.
Organizamos as coisa e partimos em direcção as Caldas da Rainha para recolhermos o nosso querido joaõ Crisostomo, filho mais novo do saudoso João do Talho do Centro comercial que era propriedade do Vinhas, como está o nosso amigo..., cansado e triste a vida tem-lhe sido madrasta,5 filhos com idades escolares que vão desde 0s 6 aos 20 e tais, desempregado ele e a mulher num país de corruptos e ladroes onde dos 150.000 empregos prometidos não lhe tocou nenhum ainda, por isso ha dias em que falta o pão e tudo o resto...é urgente conseguir-se entre os amigos arranjar-se algo para este dos nossos.
Quando chegamos ja eram quase duas horas porque nos perdemos na A8 e acessos ...enfim tudo faz parte da festa.


Chegamos e desde logo vi alguém no parque de estacinoamento que me chamou á atenção , estava mais velho mas as caracteristicas fisicas da juventude ainda la estavam passados 34 anos, olhei, olhei, apontei e disse alto dentro do carro ainda,... pessoal é o "Zé Fininho"!!
Saí do carro em direcção a ele que estava parado a olhar para mim sem ainda me ter reconhecido...oh pá tu es o fininho!!!
-pois sou ...então dá cá um abraço carago e mais dois beijos.
Coitado ele continuava a olhar sem saber quem eu era...quando lhe disse BOOMMMMMM, foi uma alegria, fômo-nos juntando todos, alguns ja vinham a sair do salaõ para irem ao cafe, entretanto aparecem a mulher, filha e mae do Zé fininho ele apresenta-me e eu digo ...
-Olá muito prazer, ahahah eu fui uma namoradinha do seu marido, ehehehe é ciumenta?
Pois olhe não lhe adianta nada a esta altura do campeonato, porque nós eramos todos putos de 13, 14 anos, eheheheh a filha achou piada mas a esposa nem por isso...a gente não pode perder o humor mas..., adorei ver a mae do Zé e revê-lo a ele, gostei da mulher dele e da filhota, que miuda gira , para salvar o embaraço do Zé apareceu a Ana do Eugenio e a Isabel, xi que algazarra xipamaninense se estabeleceu logo ali, oportunidade caida dos ceus para o Fininho dar á sola com a familia para o café...caramba espero não ter criado nenhum embroglio porque nunca mais apareceram no salão, vou ter que lhe telefonar.
Mas fico tão FELIZ QUANDO REVEJO OS MEUS QUERIDOS AMIGOS QUE RECORDO AS COISAS EM VOZ ALTA!!!
Eu sou assim mesmo, amo a minha gente e não escondo so queria tê-los todos á minha volta todos os dias, não para andar na mota do Fachada, mas para os ver e tocar ...
Sim não para andar na mota do A.Fachada porque fui eu que lha rebentei por duas vezes, 1 vez contra o post de tranformação, outra com ele no assento de trás derrapei na gravilha da minha rua ao fazer a curva e fomos os dois ao chão mais a mota que teve que ir para a oficina a pulso...eu fiquei toda rasgada na roupa , nas pernas e braços e depois nas trombas quando cheguei a casa porque a minha mãe não era para brincadeiras, é, todos os dias eu tinha a minha dose necessaria de lambada, chapada, ou coça mesmo, que é o que anda a fazer falta a esta cambada jovem dos nossos dias.
As minhas duas filhas ja mulheres hoje, também levaram algumas "pedagogicas" e são gente decente, respeitadoras, serias e honestas, não estão traumatizadas nem nunca frequentaram psicologos ...quando chegavam a casa com queixas dos professores apesar de eu o ser também levavam logo na trombeta que era por causa das duvidas e so depois é que eu ia saber aos meus colegas o que se tinha passado...omessa , isso é que era bom passar de imediato atestados de anjinhos á miudagem.
Pois é mas voltando ao Fachada o desgraçado andava sempre com a "yhama casal"dele sempre toda rebentada por minha causa.Adorava andar de mota, e só o pessoal da Machava é que as tinha então iam todos os dias ao Bairro e o encontro era no post de transformação...o Alvaro nem jinga tinha andava mesmo de milenga,eheheheh.


Soube também que o Mario gago que morava ao fundo da minha rua , rua de Inhambane e em frente ao posto do leite, que faleceu este ano em Janeiro com cancer...Que Deus te tenha recebido bem meu amigo.
Ao falarem-me dele lembrei-me um dia que estava a regar o jardim la da minha casa no bairro e estava de candeia ás avessas com o Alvaro e aparece o Mario que costumava ir de "jinga" sempre ate ao muro conversar comigo enquanto eu regava o jardim, disse-me assim:
- Oooolllhhhaaaa aaa oooo Ellllssssssssa seee quisssseeeres nnnannammmoooorar coooomiggggo eeuuuu ttttooou diiiisppooonnivvvvelllll.Na altura fiquei perturbada e pasmada a olhar para ele porque era muito amiga dele, amiga mesmo, mas passado o primeiro impacto comecei a ficar lixada...porque raio é que ele tinha que estragar a nossa amizade com merdas daquelas...desatei aos gritos com ele, e o moço foi-se embora tão triste, parece que o estou a ver a dar a volta á jinga e la foi pela rua abaixo sem olhar para trás.Que má que fui, mas eu gostava do Alvaro caraças e todo o mundo o sabia.
Meu Deus como a nossa geração foi feliz naquele bairro apesar dos arraiais de coças que algumas levavamos.


O que nos fartamos de rir quando a Ana recordou um belo sabado á tarde que estava no famoso posto de tranformação com o Eugenio e de repente ouvem o motor de um carro e pisgam-se para o outro lado , o carro da a volta e eles voltam-se a pisgar para o outro lado e andaram as voltas ao posto por causa do tal carro que era o pai dela, que barrigada de riso porque não lhe valeu de nada ter andado as voltas ao post e com a mota as costas o Eugenio, porque chegou a casa e o pai malhou nela como se malha em centeio ahahahahahah, todas apanhavamos por causa dos namorados era uma fartazana.
Mas casou mesmo com ele e são tão lindos e felizes.
Recordamos também o tal episodio marcante... porque alem de amigas e vizinhas eramos tambem colegas de turma na escola comercial.
Foi assim:
-Chegou o dia do exame de Caligrafia disciplina nuclear do curso geral de administração e comercio, chumbando a essa disciplina chumbava-se o ano.
Eu era a melhor aluna do Mestre Pardal, fiz o meu exame rapidamente, tão rapidamente que tive tempo para fazer mais 9 exames de outras colegas o da Ana, da Francisca, da joão, da Rosa, da Téte, da Julia, da Yasmina, da J.Simião e o da Luisa.
Fui a primeira a entregar e sai.
Para não dar nas vistas elas foram intercalando a entrega dos seus exames com outras colegas e foram saindo, passados 15 dias sairam as notas , e fomos a Lourenço Marques á escola ver as notas, eu gelei e queria ter morrido naquele momento...(ja era repetente porque no ano anterior tinha chumbado por faltas, tinha andadado a ir com outras e outros para as barreiras,que ficavam em frente ao Liceu salazar, descer aquilo a correr era uma curtição e rapidamente estavamos no Zambi,na baixa,etc, e porque ficava no recreio da escola a ver o Alvaro a jogar futebol, e porque ia namorar, e porque ia para a praia e porque tinha 12/13/14 anos e estava na descoberta das coisas e porque não imaginava a coça que iria apanhar com o resultado das consequencias daquilo tudo), voltei a chumbarrrrr!!!
Mas porquê?
E ainda por cima a Caligrafia...não queria ir para casa, ja me doia o corpo todo so em pensar no que me ia acontecer,sai a correr, nem vi o que tinha acontecido ao resto da turma, estava bem lixada com a minha mãe, vaguei, pela baixa, fui ate ao jardim Vasco da Gama andar por ali sem ver nada , lembro-me de ter a noção de onde estava ate que dei comigo na Minerva Central, entrei, o meu tio trabalhava la na tipografia, adoravamo-nos um ao outro ele percebia-me tinha 2 rapazes eu era a unica sobrinha , saia de la sempre com 2 livros debaixo do braço e uma chapinha com o meu nome ...naquele dia eu não queria nada so um abraço forte e agarrei-me a ele a chorar.
Abraçou-me durante algum tempo e perguntou...
-que aconteceu?!...
-Chumbei outra vez!!!
-Então como raio foi isso?
-Não sei foi a Caligrafia mas eu tenho a certeza que tinha exame de 20
-Tens a certeza?!...pois também podes ficar com a certeza que vem ai um ciclone
-Eu sei tio!
-Então apanha o macimbombo e vai ja para casa quanto mais depressa la chegares mais depressa acaba.
-Dito e feito, claro que cheguei a casa com cara de caso...o que alertou imediatamente a minha progenitora...
-Então?
-Chumbei, disse de rajada, de tão incredula ela ficou que de imediato nem reagiu...olhou para mim e como me viu a chorar quis saber como.
Por estranho que pareça não apanhei , vestiu-se meteu-se no machimbombo e rumou a Lourenço Marques á secretaria da escola, vim a saber mais tarde que se inteirou junto do Mestre Pardal na sua residencia onde se deslocou propositadamente para saber o motivo da reprovação ...
-Este contou-lhe então que o seu filho Carlos que o costumava ajudar a corrijir os testes e era meu amigo, reconheceu o emu exame e transmitiu-o ao pai que muito se admirou porque ja o tinha visto e assinado e tinha 20, so que este era realmente feito por mim com alguns erros poucos mas era de outra aluna...estranho pensou o bom do Mestre, so que rapidamente se apercebeu da trama porque se seguiram mais 7 feitos pela mesma pessoa mas com alguns erros de pouca monta.Concluiu que so tinha acontecido uma coisa e que era de tal maneira grave que teria de chumbar toda a gente do gerupelho que tentou fazer pouco dele .
Escusado será dizer que quando a minha querida mãe chegou a casa foi uma reacção em cadeia que assumiu foi ao meu armario das maquilhagens e bijuterias pegou nos meus 28 frascos de vernizes de pintar as unhas , sentou-se na relva do quintal e partiu frasco por frasco em cima de uma pedra...o resto das pinturas foram desfeitas, brincos , pulseiras e colares tudo rebentadonas minhas barbas, nessas ferias grandes fui trabalhar para a fabrica de plasticos da Matola, as roupas de que eu mais gostava e nova foi toda guardada á chave, o radio e o gira discos do meu quarto foram-me confiscados, as ervas daninhas da relva do quintal e do jardim era tarefa minha de fim de semana, tinha o cabelo comprido por meio das costas lindo de morrer,cortou-mo ela mesma á escovinha, nem uma palavra de reprovação nem de coisa nenhuma me dirigia, cinema, matines, ou bailes de garagem zero...
Bem, foi de rebimba o malho a coisa... ás outras aconteceram castigos semelhantes, era assim que se tratavam as faltas de respeito e de vergonhice nas "bentas" á 30 e muitos anos atras.


Finalmente consegui saber do paradeiro da Maria João Garrancho filha do chefe da estação da Machava, minha amiga e colega de escola...uau! O nosso amigo João Vieira vai-mo enviar. Abençoado sejas João.
De regresso ja final de festa e no carro o meu marido contou-me que um dos meus amigos tinha falecido ha 6 meses...fiquei triste, e perguntei...quem foi?
-O Raul.
-O RAUL?????!!!
-E a Ana ou o Eugenio não me disseram nada??!!
Apeteceu-me chorar, chorar muito, mas contive a saida das lagrimas, entre ontem e hoje não me tem saído da cabeça o meu pobre amigo, fomos muito chegados, que gaita porque é que não hei-de dizer que pertenceu á minha lista de namorados se é verdade?!
É eu sei antes de me aparecer o Alvaro na frente fui muito namoradeira...tinha pavor só de pensar que alguma das minhas filhas saísse a mim e eu não conseguisse controlar a situação, ehehehehehe Graças a Deus não me deram tanto trabalho como eu dei aos meus pais... que resolveram pôr-me em Viana do Castelo de castigo em 74 por causa do Alvaro, não adiantaram grande coisa porque passados 32 anos reencontramo-nos pela mão da net e de amigos do Bairro e casamos mesmo.

Laurentina...........

3 comentários:

José Lopes disse...

Memórias de uma Laurentina "fresquinha" na sua juventude. Só por gostar de andar de mota, dou-lhe nota 20 a caligrafia...eheheh
Cumps

Rodolfo N disse...

Que semblanza tan completa , Laurentina...
Cuanto hay de tu vida y de la vida...
Beijos!

aDesenhar disse...

pimba.
sei do que falas.
Kms de vivências de excelente raça.
:-)
para ler com mais tempo.
até já

bjs