sexta-feira, 28 de agosto de 2009

SOCRASGATE & Cª...

Segundo Henrique Medina Carreira, "os tios estão para tratar da vida e não para tratar da política". Acrescenta ainda aquele ex-ministro das Finanças, que "o poder não é para fazer coisas, mas para tratar da vida" .

E nós que andamos nesta vida há mais de meio século, vamos encontrando nesta época alguém que fala a mesma linguagem, que não tem papas na língua e que chama aos bois pelos próprios nomes. Não tem medo, não lhe falta coragem e como sempre nada teme, porque tem razão nas afirmações que faz, desassombradas e em bom português.

Os discursos que todos os dias se verificam por este país fora, as contradições que envolvem especialmente o primeiro-ministro que anda todo contente porque a conjuntura internacional e não a sua política económica desastrosa, lhes sugere, aparentemente, uma retoma de 0,3%, segundo os dados do Instituto Nacional de Estatística. Ora, o Banco de Portugal vai dizendo em contrapartida que a economia portuguesa "terá batido no fundo entre Março e Maio findos". A euforia do Sr primeiro-ministro ao dar publicidade aquela minúscula percentagem como se fosse uma coisa do outro mundo, e como uma vitória da política económica do seu governo, não é mais do que uma enganadora forma de esconder o actual numero de desempregados que estará em numero redondos muito perto dos seiscentos mil.

Com declarações e vitórias publicitadas pelos meios de comunicação que lhe são favoráveis, veja-se a indigna reportagem feita por um jornalista da RTP aos discursos do Dr Jardim em comício na Madeira, de uma forma espantosa, discricionária e toda favorável ao primeiro-ministro, como aliás o artigo do advogado-escritor Miguel de Sousa Tavares, no Expresso de Sábado passado, afirmando que "não cabe na cabeça de ninguém que o Governo tenha instalado uma escuta no Palácio de Belém para descobrir, por antecipação, o que pensam o Presidente da República e os seus assessores", faz-me por comparação lembrar o caso do Presidente Nixon do chamado Waiergate.

Ora o Dr Miguel de Sousa Tavares, vem mais uma vez defender a sua dama, isto é defender o que não é defensável. Quem ataca por razões de ética e pela incompetência governamental que é bem evidente, o primeiro-ministro, tem logo à perna este escritor.

Ou não fosse seu amigo pessoal...

Nós os humildes leitores daquele jornal e dos artigos que nele são inseridos, ficamos cientes desta amizade, mas não ficamos convencidos que aqui como no lado de lá do Atlântico, não haja agora outra cópia dos acontecimentos, mas agora com outro nome: Um Socrasgate bem à maneira portuguesa.

É isso.

José de Viseu

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