A campanha mostrou que, em Portugal, há muito pouca gente à altura do desempenho das funções presidenciais, mas que, em contrapartida, há muita gente deveras convencida de que isto de alguém querer ser Presidente da República é só uma questão de meia bola e força; e do mesmo passo também mostrou que há muita gente que traz o rei na barriga e se considera muito capaz das mais extraordinárias proezas lá do alto da sua notória e desastrosa incapacidade, achando que bastam umas piruetas de matriz variável e umas picardias ignóbeis para aviar a questão. Não bastam.
A campanha também mostrou um notável grau de "alegre inconsciência" quanto aos grandes problemas nacionais, a sua extrema gravidade, a natureza e o tipo de soluções a adoptar, as dificuldades e obstáculos de toda a ordem que são absolutamente inevitáveis. Mas, prosseguindo em termos pessoanos, da parte dos candidatos derrotados a campanha não mostrou que eles tivessem minimamente "a consciência disso". Pelo contrário: nenhum deles fazia qualquer ideia daquilo de que importava falar a sério e em que termos. Nenhum deles teria sabido o que fazer se algum dia tivesse de enfrentar os problemas em questão.
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