quinta-feira, 21 de abril de 2011

DESMITOS: RAZÕES PARA A CENSURA

DESMITOS: RAZÕES PARA A CENSURA: "Nas próximas semanas vamos debater até à exaustão as razões da moção de censura do Bloco de Esquerda, bem como se o PSD e o CDS devem aprova..."

Ex.mo Sr. Prof. A.S.Pereira:
O seu blogue é, porventura, dos mais úteis da blogosfera portuguesa, para mim é-o de certeza.
No entanto, como lhe referi em comentário anterior, o senhor «mancha» (em minha opinião desnecessária e contraproducentemente), quer a utilíssima informação que diariamente nos presta, quer a sua competência como reputado professor e economista.
Os gráficos que nos mostra, complementares entre si, ou uns naturalmente decorrentes dos outros, o que nos mostram é uma paulatina perda de «tónus muscular» da nossa economia desde o início dos anos 70, fruto de uma ilusão permanente: primeiro, a da manutenção do Império colonial (Estado Novo), a seguir, a do igualitarismo societal (deriva populista de 74-76); depois, a do «paraíso prometido» da CEE (pedido de adesão); a seguir, a do «leite e mel» atingidos devido à competência governativa (cavaquismo); finalmente, o do banquete fácil de digerir (guterrismo).
A conta apareceu às claras em 2003, ainda assim, continuámos a viver a ilusão de que o essencial podia continuar (TGV, Aeroporto, PPP, Novas auto-estradas, Scutt , etc.) desde que conseguíssemos varrer o lixo para debaixo do tapete, isto é, atirássemos tudo para a dívida pública, que outros pagariam mais tarde.
O pote da dívida pública encheu-se, mas a retórica ilusionista continua, quer no governo, quer nas oposições.
É preciso falar verdade, sem tacticismos partidários, delinear uma estratégia com hipóteses de sucesso tendo em conta 3 dados essenciais: o nosso atraso (e aqui incluo tudo, educação, organização judicial, organização político-administrativa – pense na máquina político-administrativa para gerir um pequeno território e apenas 10 milhões de seres –, etc. etc.); o desafio de não perder o pé na concorrência dentro da EU; o desafio de não perder o pé na concorrência da globalização.
A radiografia macro está há muito feita, os seus gráficos mostram-no, agora é SÓ preciso agir.
Temos de nos deixar de «manchar» as nossas análises de tacticismos político-partidários, como o senhor acaba por fazer (consciente ou inconscientemente), dando a ideia de que é preciso remover já o governo, porque nos levou a isto. Não é verdade, apenas agravou, e muito, um longo trajecto de decadência lenta mas persistente.
É preciso remover o governo quanto antes, mas antes temos de ter uma alternativa com um projecto estruturado e moralizador da vida pública consistente, de futuro. Mais folclore eleitoral não!
Os portugueses não são todos estúpidos, compreendem as dificuldades e os sacrifícios se estes lhes forem explicados, mas não compreendem que, ao mesmo tempo que se pedem sacrifícios duríssimos a uns, se permitam mordomias indecorosas a outros (duplas e triplas reformas acrescidas de ordenados chorudos no activo; remunerações incompreensíveis dos gestores – muito acima da média da EU - enquanto se alega que os trabalhadores não podem ter 15 euros/mês de aumento porque a economia não aguenta, só aguenta para os ordenados dos gestores; reformas conseguidas por apenas 5 ou 6 anos de serviço em determinada função, p. ex. no BdP, etc. etc.)
E até agora, sobre o essencial, nada de novo da oposição, muito menos dos putativos responsáveis pelo próximo futuro governo.
Esse é o nosso drama, excesso de diagnóstico, défice de propostas, acção tantas vezes contrária às necessidades.
Se não fosse trágico, que divertido seria termos eleições já amanhã!

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